Prefácios e notas do tradutor: tensão e acolhimento na relação com o outro

Cristina Carneiro Rodrigues

Resumo


Este trabalho tem como objetivo examinar os paratextos, especialmente prefácios e notas, escritos por tradutores de relatos de viagem de estrangeiros pelo Brasil, com o propósito de evidenciar qual foi a perspectiva que orientou essas traduções, se a perspectiva privilegiada é a do autor estrangeiro ou a do leitor. As obras examinadas foram publicadas pela Companhia Editora Nacional na Coleção Brasiliana. A maior parte dos tradutores constrói o discurso de acolhimento ao autor nos prefácios, mas as traduções, os prefácios e as notas revelam certa tensão entre o declarado e o efetivamente realizado, havendo momentos de ruptura em que os sentidos do autor estrangeiro são questionados ou até mesmo negados. Em minha análise, isso ocorre porque as várias forças que atuam sobre o traduzir, como o autor, o tradutor, o texto a ser traduzido, as línguas envolvidas, o leitor, não agem linearmente, estão em constante tensão. Como resultado, não só há perspectivas diferentes adotadas em diferentes traduções, como também em uma mesma tradução há momento em que o pólo estrangeiro é privilegiado e momentos em que o pólo doméstico aflora.

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